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Do que nunca

Certo. Oficialmente, o mundo pareceu perder o eixo. Minhas pernas estavam para o ar e, ao contrário do que eu pensava a inversão de pólos não tinha feito o sistema gravitacional mudar de forma. Eu estava, literalmente, de cabeça para baixo, como se estivesse sendo erguida pelos tornozelos. Meu cerebelo tinha perdido a noção do que era equilíbrio e de alguma forma o meu flutuar tinha se tornado uma espécie de dança desgovernada. Obviamente, eu estava num universo paralelo... Sonhando.

Ver as coisas do alto era uma mistura entre o mágico e o comum, e a sensação que eu tinha era que minha cabeça explodiria a qualquer momento, não porque o sangue estava descendo, e fazendo meu rosto começar a ficar roxo, mas porque a ordem das coisas mudara. Era isso, eu gostava do habitual, da rotina e do que eu tanto reclamava. Pedir "Socorro!" era uma tentativa frustrada de lutar contra a frequencia das ondas sonoras que mudaram de eixo, e eu tentava assiduamente virar de cabeça para cima, mas era difícil sem nada para apoiar.

Os pensamentos de forma desordenada tentavam manter a lógica que tinha sido perdida em algum buraco de minhoca. Era tortura. Lentamente, eu morria aos poucos (Sim, eu estou ciente do pleonasmo). Não porque meus órgãos paravam de funcionar com precisão, de fato, meu hipotálamo ajudava a manter o desespero sem controlar minhas emoções, mas o que funcionava com uma injeção de gás no meu sangue era o fato de eu estar morrendo sem entender nada, sem saber de nada. Era morrer tendo todos os meus valores destruídos, minhas crenças, meus preceitos, todos sendo dismistificados por um fator externo, pelo improvável, pelo influenciável. 

A sensação era de perda total. Eu estava morrendo sozinha, o vazio ia fazer a passagem e entrar em outra dimensão. Tinha perdido tudo, tinha perdido a mim mesma e aquilo parecia acelerar o processo vegetativo. O que eu faria? Ali, de pernas para o ar e cabeça para baixo? Como eu tinha deixado acontecer? Como? Como eu fui perceber, que não me encontrara, nos segundos finais dos acréscimos? As pálpebras bem fechadas tentavam manter meus olhos dentro do meu crânio e ao mesmo tempo conter as lágrimas... Era difícil, a gravidade parecia forçá-los. Foi quando eu percebi: Eu tinha que abrir os olhos, antes que fosse tarde demais.

P.S. Layout temporário, enquanto eu não termino o blog novo.

Lá vou eu, novamente: Férias?

Fugindo do clichê e caindo de cabeça no lugar-comum, volto aqui novamente para comunicar-lhes (se é que alguém ainda visita este blog) que minhas férias voltaram de mala e cuía, o que - consequentemente - significa que terei tempo de atualizar e responder comentários. 

Quando o segundo ano do ensino médio chegou eu estava adorando a ideia de subir uma única escada todas as manhãs, já na metade do ano eu estava pedindo penico - quase que literalmente - para aguentar o esforço de subir uns míseros 20 degraus (o que na minha situação matutina é o equivalente a escalar o monte Everest), de fato até dois meses atrás eu não via a hora do ano acabar para terminar o ano seguinte e, enfim, me ver livre da escola. 

 Não sei, estou até achando um pouco precosse... Mas desses dois meses para cá, se não fossem pelas provas, vestibulares e afins, eu estava torcendo para escola não acabar. E quando eu relato essa proesa, você (leitor paraquedista que caiu no meu blog por acaso) e toda a torcida do Maracanã ficam de boca aberta com uma enorme interrogação vagando no cérebro.

Ok, é incomum, eu sei. Aconteceu que a sementinha da insegurança e do medo começou a germinar dentro do meu pobre e vazio coração. Terceiro ano: O ANO da minha vida. Ano em que todos os acontecimentos são interpretados numa escala de importância que cresce em progressão geométrica. Ano em que eu decidirei meu futuro, ano do Monstro Verde e Fedorento do VESTIBULAR.