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Sensibilidade Masculina

Não tenho nada de novo ou interessante para contar aqui, então eu vou simplesmente me humilhar e contar o que aconteceu comigo duas semanas atrás quando eu estava tentando sobreviver a uma infecção bacteriana na garganta pós-show do McFly no dia 24 de Maio.

O relógio marcava 19:00 horas e alguma coisa, não me recordo, eu estava com a cabeça enfiada no caderno de biologia tentando passar a limpo a matéria que eu tinha perdido no dia anterior por ter faltado a escola graças a minha dor de garganta, a tosse de cachorro resfriado e as dores no corpo. Era de se esperar que eu tivesse melhorado depois de tantas doses de Targifor C, Valda, Mel com Limão, Própolis, Nisulide... Mas não, a minha única saída para aliviar a dor de garganta que só aumentava com a tosse era beber água, eu tinha bebido pelo menos um botijão o dia todo, e naquele momento eu estava no meu quinto copo sem intervalo para ir ao banheiro.

- Aline, eu cheguei mais cedo para a gente ir ao médico. - Papai me informa.

- Ao médico? - Fiz uma careta. Idas ao médico... Na maioria das vezes eu só ganho uma receita para tomar mais remédios.

- É. - Ele confirmou o que eu mais temia, era como se eu fosse o Darth Vader e o Conde Dookan estivesse me obrigando a chegar perto de um vulcão, ou algo assim... Ok, péssima analogia. - Troque de roupa.

Mas que droga, e eu ainda ia ter que tirar meu pijama de flanela verde-limão e estampa de sapo (Tipo o Darth Vader tendo que tirar o pinico da cabeça e a armadura de latão).

Enfiei-me no Jeans e coloquei a minha camisa favorita (uma que tem sapatilhas de balé feitas de lantejoulas dando uma espécie de efeito 3D) desci no elevador e entrei no carro.

- Pai, eu preciso ir ao banheiro. - Eu disse quando estávamos nem na metade do caminho. - Lá tem, né?

- Tá brincado? - Ele riu. - Tem um logo na entrada.

Infelizmente eram 19:00 horas e todo mundo parecia ter resolvido ir na direção daquele hospital porque o trânsito naquela avenida-que-eu-não-sei-o-nome estava incrivelmente parado. E como se a demora já não fosse um fator agravante, todas as arrancadas do carro quando o sinal abria, ou quando o carro da frente andava, pareciam comprimir minha bexiga.

- Pai, eu bebi muita água hoje, por conta da garganta. - Eu falei com uma voz quase inaudível por conta da dor de garganta (exatamente como a voz do Darth Vader). - Eu acho que não vou aguentar.

- A gente já está chegando. - Papai disse rindo.

Ok, as semelhanças com o Darth Vader poderiam vir a calhar se ao invés de estar respirando pela boca - nariz entupido - eu estivesse com aquele penico na cabeça.

Quando finalmente chegamos ao hospital e meu pai estacionou o carro eu tentava não sentir alívio, porque minha bexiga estava tão cheia que qualquer sinal de alívio ia fazer ela despencar e eu ficar toda molhada.

- Pronto. - Papai disse abrindo a porta da recepção do hospital e apontando para uma porta. - O banheiro é ali.

Eu senti todas as pessoas sentadas na sala de espera da emergência olhando para mim.

Ah, Deus. Qual é o problema com a sensibilidade masculina?