Eu sei que tenho essa tendência para o drama e para o disfemismo. Mas a culpa não é minha se todos os fatores que me cercam apontam para a catástrofe mundial social. Um metro e meio de altura, cabelos mutantes, nariz de Penélope, ausência de seios, braços gorduchos, barriga desnutrida, bochechas GIGANTES... Enfim, já deu para entender. Não, o caso aqui não é autoestima baixa, isso aí eu já venho superando desde os 2 anos de idade. A situação é mais grave: sofro de "Estepe Social", a doença é simples e fácil de ser diagnosticada. Isso porque os maiores sintomas são:
a) Falta de Imposição Social.
b) Ausência de Capacidade de Afirmar Verbalmente o que Pensa.
c) Excesso de Subordinação.
Fatores este que me tornam a pessoa perfeita para te dar um encalço e elevar a sua vida social. E isso - infelizmente - não é teoria, eu tenho como provar! Digamos assim, que sábado, às 14:00 ao invés de eu estar na praia, no shopping, me divertindo, como qualquer adolescente normal, eu estava no computador, online em dois MSN's servindo de secretária para o meu irmãozinho lindo, no auge dos seus 20 anos, poder dar uma festa com os colegas de faculdade.
Como se não bastasse ter de ficar copiando e colando o texto: "oi, aqui é a irmã dele. ele está lá embaixo. sim, tem gente na festa. qualquer coisa liga para: 0800100802. Para qualquer outra informação, digite: 2. Para saber o endereço, digite 3. Para reclamações de som alto, bagunça, e etc. Ligue para a minha mãe." na janela de conversação do meu irmão, se alguém por ventura "falasse" com ele:
Eu também tinha que atender a todos os interfones e descer com o que quer que fosse o pedido. Desde buchas de lavar prato à câmeras digitais. Uma espécie de entrega a domicílio, que ficou conhecida como: "Aline's Delivery".
[CENSURADO] diz:
ei puto
[CENSURADO] diz:
ta com o porteiro né?
Eu também tinha que atender a todos os interfones e descer com o que quer que fosse o pedido. Desde buchas de lavar prato à câmeras digitais. Uma espécie de entrega a domicílio, que ficou conhecida como: "Aline's Delivery".
E no final das contas, pergunta se eu recebi ao menos UM CONVITE para a tal festa? Ou se eu ganhei algum pratinho, lanchinho, sacolinha, etc? Recebi? Nããão! Recebi um "obrigado". E tudo bem, isso já é muita coisa, considerando que eu fui a encarnação da Escrava Isaura em outra vida.
Pois é, e ninguém entende quando eu pergunto: "Por que, Deus, por que?" Mas a pergunta é retórica, afinal, logo me vem em mente: "Porque a vida é cruel"


