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Curto-Circuito.

Maldito dia que mamãe resolveu ter "A Conversa" comigo...
Não, não me refiro "A Conversa" sobre Fazer Aquilo, mas uma conversa muito pior na qual fica claro que ela está falando mais do que sério quando consolida a possibilidade de você se mudar para outro estado, não que isso seja uma coisa ruim, mas acaba trazendo emoções que você não esperava ter em plena férias. Acontece que metade de mim poderia ir com a maior facilidade, e a outra metade se agarraria à postes para poder ficar. Minha vida inteira aconteceu aqui, eu cheguei em Recife aos 5 anos de idade, e me mudar nesse exato momento seria muito pior do que cortar meu cordão umbilical, não pense que eu não fiquei feliz com a idéia, Giovana (eu sei que você lerá isso aqui amanhã), mas deixar tudo isso para trás, e começar do zero, me assusta bastante. Tudo bem que em São Paulo eu teria a minha família e você, isso facilitaria bastante. Mas aqui eu tenho uma família, que apesar de ser completamente bipolar, é minha família. Me preocupo em deixar minha prima aqui, ela é filha única e Deus sabe que ela só tem a mim, meu irmão, meus pais e a mãe dela para contar. Ela só tem 8 anos ninguém dessa idade precisa ter um avô de 70 anos namorando uma menina de 21, e uma tia esquizofrênica! Além de tudo isso, eu não sei qual das duas opções é melhor, ir ou ficar. E isso só aumenta a soma das coisas que me assustam. Tudo bem, ainda temos um ano para tomar "A Decisão". É tempo o suficiente para eu me acostumar com a idéia.

Maldito dia que mamãe resolveu abrir o Jornal...
Ela abriu o Jornal e se deparou com a lista dos primeiros lugares da Federal, e... PLIM! Jimmy Lauder - aluno do 2° ano do meu colégio - passou em direito com nota 8.10 na Federal e ficou em 2° lugar em Administração de Empresas na UFPE. Me chamou para ver... Nem imaginava o que ela queria comigo até que eu vejo a foto do dito cujo, pensei: "Oh, merda! Nem nas férias tenho descanço". Foi quando ela me fez tagarelar o histórico escolar do garoto, é isso aí, eu tive que contar tudo. TUDO. E depois ela me lançou aquele olhar de: "Por que você não é assim, Aline?" E um sentimento de culpa pairou no ar. Ótimo, se eu pensava que ia tentar recuperar a minha reputação no meu segundo ano agora, pude ver ela se esvaindo da minha mão como fumaça. É isso aí, se eu já era considerada nerd/loser ano passado, já posso sentir o que vem adiante, vou subir meu status para "Jimmy", simplesmente porque não posso e nem quero decepcionar meus pais. E além de tudo, eu quero mesmo, MUITO MESMO, ir para Oxford, sendo que isso só acontecerá se eu obter um boletim exemplar. Olá, livros escolares. Adeus, vida social.