Sentei-me frustrada em uma das poltronas da sala, a distração permutando em minha mente alta e clara. O barulho do liquidificador, a televisão ligada no quarto ao lado, carros buzinando, Kanye West ressonando através dos fones de ouvido do meu irmão.
Suspirei e joguei a cabeça para trás desistindo do livro, o exemplar era um antigo Memórias Póstumas de Brás Cubas encontrado vagando numa das prateleiras do meu pai. Queria ler, pois, segundo Mário Quintana, este era o alimento da alma. E se tinha alguém cuja alma precisava de alimento, era eu.
E se eu descesse? A área de lazer não parecia estar tão agitada, nem ao menos barulhenta. Eu o fiz. No caminho entrei no elevador, nutrindo a fantasia de que aquilo era uma máquina do tempo e assim que parasse eu estaria de volta ao séc. XVIII para encontrar uma grande amiga chamada Jane Austen...
Mas a ilusão fora interrompida no segundo andar, por uma vizinha que ousou quebrar meus devaneios. Soltei a conversa fiada de sempre e comentei sobre o calor que vinha perdurando em Recife. Até que a nave-mãe aterrissou e eu comtemplei o mesanino vazio.
Sentei-me num dos bancos que ficavam ao redor dos canteiros, a luz do Sol batia forte e emanava o meu aroma favorito, poderiam criar um perfume com base na fragrância do papel impresso. Compraria litros.
Voltei a me concentrar no Brás Cubas, já estava na metade do quinto capítulo quando ouvi um suspiro, seguido de um murmúrio, e um trincar de dentes. Levantei os olhos.
E lá estava ele, mais ou menos 1,70 de altura, olhos castanhos, os cabelos beirando entre o louro escuro e o castanho claro. Era como se eu estivesse vendo o mesmo garoto de 7 anos atrás, só que 50cm mais alto. O mesmo rosto, o mesmo sorriso, o mesmo corte de cabelo.
- Oi? - Não havia vestígio da voz infantil que eu guardava em mente.
Sacudi a cabeça e voltei a encarar o livro, como pude ser tão idiota ao pensar que aqui eu teria menos distração... Levantei novamente os olhos.
- Aline... - Ele disse em meio um sorriso. - Este é um nome que há muito tempo não ouço.
- Há quanto tempo? - Eu ri com a alusão a uma das falas de Star Wars.
- Há muito tempo.
Acordei. Tinha sido apenas mais um sonho.
Suspirei e joguei a cabeça para trás desistindo do livro, o exemplar era um antigo Memórias Póstumas de Brás Cubas encontrado vagando numa das prateleiras do meu pai. Queria ler, pois, segundo Mário Quintana, este era o alimento da alma. E se tinha alguém cuja alma precisava de alimento, era eu.
E se eu descesse? A área de lazer não parecia estar tão agitada, nem ao menos barulhenta. Eu o fiz. No caminho entrei no elevador, nutrindo a fantasia de que aquilo era uma máquina do tempo e assim que parasse eu estaria de volta ao séc. XVIII para encontrar uma grande amiga chamada Jane Austen...
Mas a ilusão fora interrompida no segundo andar, por uma vizinha que ousou quebrar meus devaneios. Soltei a conversa fiada de sempre e comentei sobre o calor que vinha perdurando em Recife. Até que a nave-mãe aterrissou e eu comtemplei o mesanino vazio.
Sentei-me num dos bancos que ficavam ao redor dos canteiros, a luz do Sol batia forte e emanava o meu aroma favorito, poderiam criar um perfume com base na fragrância do papel impresso. Compraria litros.
Voltei a me concentrar no Brás Cubas, já estava na metade do quinto capítulo quando ouvi um suspiro, seguido de um murmúrio, e um trincar de dentes. Levantei os olhos.
E lá estava ele, mais ou menos 1,70 de altura, olhos castanhos, os cabelos beirando entre o louro escuro e o castanho claro. Era como se eu estivesse vendo o mesmo garoto de 7 anos atrás, só que 50cm mais alto. O mesmo rosto, o mesmo sorriso, o mesmo corte de cabelo.
- Oi? - Não havia vestígio da voz infantil que eu guardava em mente.
Sacudi a cabeça e voltei a encarar o livro, como pude ser tão idiota ao pensar que aqui eu teria menos distração... Levantei novamente os olhos.
- Aline... - Ele disse em meio um sorriso. - Este é um nome que há muito tempo não ouço.
- Há quanto tempo? - Eu ri com a alusão a uma das falas de Star Wars.
- Há muito tempo.
Acordei. Tinha sido apenas mais um sonho.
Can I hold you one last time to fight the feeling that is growing in my mind? (One Last Time - The Kooks)


